5° CARTA (AGOSTO LILÁS)
Oi,
mãe.
Estou
te escrevendo com lágrimas fervorosas descendo pelo meu rosto.
Eu
não aguento mais.
Mãe,
ele me empurrou. Ele me xingou. Derrubou a nossa televisão no chão e apertou o
meu pescoço.
Ele
insinuou que eu estava traindo-o só porque viu que eu estava procurando um
emprego. Chegou uma mensagem no meu celular, enviada por um rapaz do setor de
Recursos Humanos de uma empresa. Ele nem sequer me deixou ver a mensagem e me
acertou com um tapa que me fez cair no chão.
Como
se não bastasse, apertou o meu pescoço.
Pensei
que iria morrer.
Mãe...
Eu
lembro do seu último suspiro.
Aquele
foi o dia em que caiu a última gota d'água.
O
dia em que o papai se tornou um assassino e nos tirou você.
Mãe,
eu não quero viver assim.
Eu
não quero que a Maria passe pelo que eu passei.
Então,
hoje é o último dia que vou ficar nesta casa.
Ele
saiu para beber e, quando voltar, vai tentar abusar de mim e me bater.
Mas
eu não vou me calar.
Eu
vou denunciar.
Ele
nunca mais vai tocar em mim.



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