4° CARTA - AGOSTO LILÁS
Oi,
mãe.
Desculpe
a minha ausência. A nossa bebê nasceu e eu estou muito feliz. Nunca pensei que
amaria tanto alguém.
O
Paulo ficou feliz quando viu a nossa pequena Maria. Ela parece uma bebezinha
muito forte e se parece um pouco com você.
Mamãe,
estou de resguardo. Logo irei te visitar, tá bem? E levarei a Maria para
conhecer a vovó.
Mãe,
me tire uma dúvida: ainda é cedo para ter relações sexuais?
Ando
me sentindo fragilizada e, como o parto foi cesárea, sinto muitas dores para
andar e me movimentar.
O
Paulo vive dizendo que eu não dou atenção a ele e que estou o evitando o tempo
todo, mas ando tão cansada...
Em
uma certa noite, eu estava exausta e com muita dor. Tomei um remédio e não vi
mais nada. Acordei sendo tocada pelo Paulo. Estava nua. Gritei de dor e o
empurrei. Eu estava sangrando... e ele sorria por ter saciado o próprio prazer.
A
Maria acordou assustada com o meu grito, e eu nem sequer consegui me levantar
da cama.
Ele
tentou apaziguar a situação e disse que tinha necessidades como homem e que, se
eu não suprisse essas necessidades, teria que procurar outra na rua. Como sou
sua esposa, disse que não precisava da minha autorização para me tocar.
Mãe,
passei a ter medo de dormir.
Com
o passar dos dias, as dores aumentaram e tive que voltar ao hospital. Dois dos
meus pontos se romperam e eu estava com uma infecção.
O
médico e a enfermeira me perguntaram o que havia acontecido, mas era vergonhoso
demais dizer que o meu marido havia me abusado enquanto eu dormia.
Mãe,
as coisas andam difíceis. Sinto tanto a sua falta. Preciso tanto do seu abraço
e do seu acolhimento. Sinto-me tão ferida. As coisas estão piorando por aqui.
O
Paulo começou a beber e me culpa por eu não ser a mulher que ele idealizou.
Passou a desprezar a nossa filha. Disse que eu me afastei dele após o
nascimento dela.
Isso
é tão cruel.
Ele
chega com um cheiro forte de bebida e tenta me abraçar. Diz que está carente.
Quando eu recuso, ele me xinga, me humilha e diz que fui a pior escolha da vida
dele. Eu passo a me sentir culpada por todo esse transtorno. Estou tentando me
manter forte, está bem?
Por
favor, não se preocupe. Logo voltarei a te escrever.
Mamãe,
sinto a sua falta. Eu te amo.



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